The Rolling Stones
Foi amor à primeira vista. O então adolescente
Keith Richards (nasc. 18 de dezembro de 1943) ficou louco
quando bateu os olhos nos Lps de Chuck Berry, Little Walter
e Muddy Waters embaixo do braço de Mick (Michael Phillip
Jagger, nasc. 26 de julho de 1943), seu velho conhecido dos
tempos de infância, numa estação de trem
em Dartford, no Estado de Kent (Inglaterra), quando rompia
a década de 60. Separados há anos, os dois automaticamente
sintonizaram suas conversas no que uma meia dúzia de
moleques ingleses já se interessava na época:
o rythym & blues que vinha da América.
Mick, aluno de economia, e Keith, estudante
de arte que já havia sido expulso de uma escola técnica,
resgataram a amizade dos tempos de seus 6 anos de idade. Mick
já tinha sua bandinha, a Little Boy Blue and The Blue
Boys, e chamou o velho-novo amigo, que tocava guitarra para
parecer com Chuck Berry (a única coisa que ele realmente
sabe fazer bem até hoje), para entrar na banda, que
contava com um outro guitarrista, Dick Taylor.
O trio começou a ensaiar na casa de Dick e a freqüentar
o Ealing Jazz Club, pub londrino que reunia a molecada branquela
louca por blues e seus afluentes. Lá, no início
de 1962, assistiam aos shows da Alexis Korner´s Blues
Incorporated, cujo baterista era Charlie Robert Watts (2 de
julho de 1941, Islington, Londres).
Nesse clube, Mick e Keith trombaram com Brian Jones (Lewis
Brian Hopkins Jones, 28 de fevereiro de 1942, Cheltenham,
Gloucestershire), um bad boy precoce. Eles começaram
a tocar juntos, incluindo a presença de Ian Stewart,
pianista que acompanhava Brian e que mais tarde entraria para
a história como "o sexto Stone".
Ainda sem encontrar o baterista que agradasse a todos, os
rapazes passaram a assediar Charlie Watts, que, em janeiro
de 1963, depois de muita conversa, aceitou o convite. Antes,
porém, outro posto da banda já havia sido definido:
Bill Wyman (William Perks, 24 de outubro de 1936, Lewisham,
Londres), que não era uma maravilha tocando baixo,
tinha o melhor amplificador que os moleques já tinham
visto. Substituiu Dick Taylor.
Nesta época, os Blue Boys já
haviam virado The Rolling Stones, nome sugerido por Brian
Jones em junho de 1962, a partir de uma clássica gravação
de Muddy Watters chamada "Rollin´ Stones".
Por um curtíssimo período, inclusive, eles incluíram
Silverno nome, como os Beatles já haviam feito.
Com a formação completa, o então sexteto
(com Stewart regularmente no piano) começou a tocar
em vários cantos de Londres, com destaque para o clube
Marquee, berço de nove entre dez mitos do rock que
surgiram na terra da Rainha. Mas foi num bar em Richmond,
bairro ao sul de Londres, que os shows foram vistos por Andrew
Loog Oldham, ex-assistente de Bill Epstein, empresário
dos Beatles. Oldham gostou do que viu e, ao lado de seu parceiro
Eric Easton, comprou por 90 libras as fitas gravadas pela
banda para a BBC, no começo daquele 1963. A primeira
atitude de Oldham foi convencer o pessoal que Ian Stewart
tinha cara de bonzinho demais para continuar na formação
oficial. O pianista se tornaria num coadjuvante permanente
até os anos 80.
Já contratados por um agente, os Rolling
Stones começaram a gravar várias faixas, entre
elas "Come On", de Chuck Berry, e "I Wanna
be Loved", de Willie Dixon. No ano seguinte, 1964, a
fama da banda começou a deslanchar, a imprensa musical
já levantava a bola dos garotos e as turnês começaram
a acontecer. Primeiro pelo Reino Unido, depois pelos Estados
Unidos (por duas vezes no mesmo ano). Inclui-se aí
a primeira apresentação da banda em Paris, no
Olimpia, em que a platéia ficou alucinada, fez o maior
quebra-quebra e 150 pessoas terminaram na delegacia.
Nesta fase, apesar da boa repercussão,
o som da banda era formado apenas por covers. Reza a lenda
que Oldham trancou Mick e Keith numa sala até que saíssem
com uma música própria. Ela seria "Tell
me", baladinha que está no primeiro álbum
da banda, lançado neste mesmo ano.
A partir de 1965, a banda, que já
começava a causar frisson nas meninas, dava um salto
imenso para definitivamente detonar a rivalidade (mais por
parte do público do que por parte dos grupos) com os
Beatles. Além de The Rolling Stones nº 2 (no Brasil
lançado como Rolling Stones Now!), o quinteto lançaria
Out of Our Heads e mais um álbum que compilava diversos
singles, December´s Children (And Everybody´s).
É desse ano, mais precisamente de 20 de agosto, "Satisfaction",
o maior sucesso dos Stones e responsável por colocar
Out of... no primeiro lugar dos mais vendidos nos Estados
Unidos.
Como celebridades, os Rolling Stones começaram a virar
figurinha carimbada na América, onde suas turnês
eram mais freqüentes. Apesar disso, o som da banda passa
a ter a partir daí uma cara mais variada, principalmente
pela sombra dos Beatles e do gosto de Brian Jones, que incrementa
o trabalho tocando cítara, batuque e tudo o mais.
Essa faceta ficou clara com o lançamento
de Aftermath, em 1966, que trazia pelo menos dois grandes
hits, como "Lady Jane" e "Paint it Black".
O tom das canções começava a ficar menos
direto, mais viajandão, lisérgico, até
porque nessa época os rapazes começaram a fazer
festa com as substâncias ilícitas. Tanto que,
no ano seguinte, a rotina da banda foi um festival de apreensões,
prisões e sessões em tribunais. Mick Jagger
e Keith Richards ficaram presos e foram liberados após
salgado pagamento de fiança. O mesmo aconteceu com
Brian Jones, até então o mais íntimo
Stone no relacionamento com as drogas.
1967 foi um ano com muitos fatos importantes para a banda,
que dispensou Andrew Oldham e lançou dois álbuns,
Between the Buttons e Their Satanic Majesties Request, uma
curiosa passagem dos Stones pela onda psicódelica,
que tinha como seu principal carro-chefe Sgt. Peppers Lonely
Heart Club Band, dos Beatles, lançado no mesmo ano.
Já sem Oldham, influente figura que
ajudou a lapidar o estilo da banda, Jimmy Miller foi convidado
por Mick para produzir os próximos trabalhos. Ele não
poderia começar melhor: em 25 de maio de 1968 era lançado
o single de "Jumpin´ Jack Flash", hit que,
até pela letra e postura da banda no clipe (maquiagem
pesada, clima escuro e olhares perdidos), deu aos Stones uma
pecha de banda do "mal", que eles acabariam confirmando
com o lançamento seguinte. Beggar´s Banquet é
um álbum com veia acústica que trazia temas
pesados para uma época de "paz e amor", como
sexo com menores ("Stray Cat Blues"), ativismo político
("Street Fighting Man") e satanismo ("Simpathy
for the Devil").
Para sacramentar a fama de mal, veio a tragédia
no festival de Altmont, na Califórnia, em 6 de dezembro
de 1969. Com uma platéia de cerca de 500 mil pessoas,
que, além dos Stones, assistiria aos shows de Santana,
Crosby, Stills, Nash & Young e outros, os Hell´s
Angels contratados para fazer a segurança do evento
dispensaram a diplomacia e o quebra-quebra correu solto. Meredith
Hunter, um adolescente de 18 anos, morreu esfaqueado, enquanto
outras duas pessoas morreram no meio da multidão, além
de uma jovem que se afogou num canal de irrigação.
No meio de toda essa confusão, uma outra tragédia
já havia abalado os Stones meses antes. Em junho de
1969, já bem afetado pelo consumo excessivo de drogas
e bebendo demais, Brian Jones foi limado da banda, dando lugar
a Mick Taylor (Michael Taylor, 17 de janeiro de 1948, Welwyn
Garden City, Hertfordshire), que tocava com John Mayall e
os seus Bluesbreakers. Em 3 de julho, Brian seria encontrado
morto na piscina de sua casa, em Cotchford Farms. Dois dias
depois, a banda reuniu 200 mil pessoas para uma homenagem
ao guitarrista em um concerto gratuito no Hyde Park.
O ano de 1970 funcionou como uma espécie de fronteira
para os Rolling Stones. O som da banda mudara com a entrada
de Taylor, um guitarrista de verve blueseira, que se encaixava
ao que Mick e Keith queriam para a banda naquele momento.
Depois da megaturnê que divulgava o álbum de
1969, Let it Bleed, os integrantes se mudaram para a Riviera
Francesa, fugindo da poderosa mordida dos impostos britânicos.
Foi nesse período que lançaram o disco que muitos
consideram como o autêntico som "stoniano",
Sticky Fingers, uma mistura de rock´n roll rasgado com
blues, gospel e country.
Os Stones seguiram fazendo um som mais "americano",
o que se verifica em Exile on Main Street, álbum de
1972 que foi o combustível para a turnê americana
de 1972. Após a temporada de shows, a banda se mandou
no final do ano para Kingston, na Jamaica, onde começou
a preparar as gravações do álbum do ano
seguinte, Goat´s Head Soup, um disco bem inferior ao
que eles vinham fazendo, mas que trazia um dos maiores sucessos
comerciais dos Stones, "Angie".
Com o álbum seguinte, It´s Only
Rock´n Roll, terminava a participação
de Mick Taylor como um Stone. Considerando que seu trabalho
estava sendo desprestigiado e reclamando a autoria de uma
música ("Time Waits for no One"), ele seguiu
carreira solo. A vaga abriu brecha para Ronnie Wood (Ronald
Wood, 1º de junho de 1947, Hillingdon, Middlesex), guitarrista
dos Faces que desde a morte de Brian Jones sonhava fazer parte
dos Rolling Stones. Seu debut aconteceu de forma apoteótica,
com uma apresentação em plena Manhattan, Nova
York, onde os Stones entraram na famosa Quinta Avenida tocando
"Brown Sugar". O primeiro trabalho em estúdio
de Ronnie foi Black & Blue, de 1976, que serviu como base
da turnê da banda, em que os problemas com drogas voltaram
a fazer parte do noticiário que envolvia os Rolling
Stones.
No meio da onda disco que arrastava a América, os Stones
lançaram Some Girls, em 1978, embalado pelo hit dançante
"Miss You". A crítica americana deu aos Rolling
Stones e a seu disco os títulos de melhores do ano.
O cartaz da banda nos Estados Unidos só crescia, ainda
mais após a turnê Still Life, registrada em LP
em 1982 em concertos realizados em grandes estádios
ao ar livre. Mas a bola começou a baixar. Mick Jagger
desviou a atenção para o seu trabalho solo e
dois discos (Undercover, de 1983, e Dirty Work, de 1986) saíram
até o final dos anos 80, quando a banda parece ter
retomado o gosto por tocar junta novamente. A reunião
se deu na turnê de Steel Wheels, em 1989 e 1990, que
acabaria resultando no bom disco ao vivo Flashpoint.
Em 1992 Bill Wyman resolve deixar a banda,
e os Stones decidem não substituí-lo como membro
do grupo e sim com um "músico contratado".
Revitalizados e com o bolso cheio após um belo contrato
com a gravadora, saíram em 1994 com Voodoo Lounge,
álbum e turnê que pela primeira vez trouxe a
banda para concertos na América do Sul, incluindo o
Brasil, em 1995. Já cinquentões, seguiram fazendo
shows pelo mundo todo, faturando uma grana preta e ainda arrumando
tempo para fazer história, como a apresentação
ao vivo de "Like a Rolling Stone" com a participação
de Bob Dylan, que excursionou com a banda em 1998. Esse também
foi o ano da segunda passagem pelo Brasil, com a turnê
Bridges to Babylon. Na ocasião, Mick conhece modelo
Luciana Gimenez, com quem tem um filho, o garoto Lucas.
Em 1998, o grupo lançou outro álbum
ao vivo, No Security. Mick Jagger voltou a investir em sua
carreira solo com Goddess In The Doorway (2001), álbum
quetem a participação de Pete Townshend, Bono,
Lenny Kravitz, Missy "Misdemeanor" Elliot, Joe Perry,
Wyclef Jean e Rob Thomas.
Em 2002, o quarteto embarcou na turnê
Licks para comemorar seus 40 anos de carreira e lançou
a coletânea Forty Licks.
Neste ano de 2005 os Rolling Stones anunciaram
o lançamento de um novo álbum com músicas
inéditas e uma nova turnê mundial que terá
início no dia 21 de agosto em Boston (EUA) e passará
pela América do Sul no início de 2006.