Elvis Presley
Um singelo presente de aniversário para a mamãe
Presley detonou o começo da saga do Rei do Rock. Elvis
Aaron Presley, garoto branquelo nascido em 8 de janeiro de
1935 em Memphis, Tennessee, terra que aglutinou o filé
da música negra (blues, soul e R&B) ao country
e o bluegrass, só queria agradar a mamãe quando
tirou uma folguinha de seu trabalho de caminhoneiro para adentrar
os estúdios da Sun Records. O proprietário do
selo, Sam Phillips, ouviu, gostou e não deixou o topetudo
sair dali, já que não era todo dia que aparecia
um branco cantando como negro (perfeito para o padrão
de sucesso dos EUA até então).
Para encorpar o som do garoto de 19 anos, Sam, em 1954, escalou
o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black para participar
da que seria a lendária sessão de gravação
que rendeu o primeiro single do cantor: "That's All Right
Mama", blues de Arthur Crudup em versão explosiva.
Em menos de um ano, o trio gravou mais quatro compactos, "Blue
Moon Of Kentucky", "Good Rockin' Tonight",
"Baby Let's Play House" e "Mystery Train",
consolidando o novo estilo chamado rockabilly, ou mesmo rock'n'roll.
Os discos imediatamente passaram a vender muito bem em toda
a região sul e Elvis logo tornou-se uma estrela no
circuito de shows country, escandalizando os conservadores
com sua dança selvagem e provocante. O movimento giratório
de seus quadris, que Ihe rendeu o apelido de "O Pélvis",
logo estaria provocando uma polêmica nacional (na TV,
ele seria mostrado apenas da cintura para cima).
No final de 1955, quando "Mystery Train" atingiu
o topo da parada country, seu óbvio potencial de superstar
atraiu o assédio das grandes gravadoras e de um empresário,
"Coronel" Tom Parker, que tornou-se seu empresário.
Precisando de dinheiro para expandir seu selo, Phillips vendeu
o passe de Elvis para a RCA por US$ 35 mil, na época
uma soma astronômica. Seu primeiro single pela nova
gravadora, "Heartbreak Hotel", logo estava no primeiro
lugar da parada nacional, transformando o cantor instantaneamente
no maior fenomeno da música popular dos EUA desde o
auge de Frank Sinatra. Mais dois compactos, "I Want You,
I Need You, I Love You" e "Hound Dog"/"Don't
Be Cruel", e Elvis conquistava todo o planeta. No final
de 1956, era lançado seu primeiro filme, Love Me Tender,
inaugurando uma longa carreira paralela de ídolo hollywoodiano
armada pelo empresário. Alimentadas pelo talento de
compositores profissionais como Otis Blackwell e a dupla Jerry
Leiber/Mike Stoller, as trilhas sonoras dos filmes de Elvis
o manteriam sem problemas no topo das paradas, ainda que seu
agressivo estilo original estivesse sendo definitivamente
domesticado. Tanto sua carreira musical como a cinematográfica
foram suspensas no início de 1958, quando o ídolo
foi convocado para servir o exército e transferido
durante dois anos para uma base na Alemanha. Os discos continuavam
saindo porque a RCA havia estocado gravações
inéditas suficientes para suprir sua ausência.
Quando o cantor retornou, em 1960, sua popularidade permanecia
praticamente inalterada.
Durante quase toda a década de 60, enquanto Beatles
e cia. faziam um estardalhaço pop, Elvis estava literalmente
aprisionado em Hollywood, rodando uma média de dois
a três filmes por ano. A maioria dos fãs de rock
já o considerava vendido e antiquado quando o cantor
ressurgiu para recuperar sua coroa com um especial para a
TV, em 1968, e o álbum From Elvis In Memphis, lançado
no ano seguinte. Apesar de ter se libertado dos estúdios
de cinema, este momento de brílho fulgurante, como
nos velhos tempos, não duraria muito. Nos anos 70,
lutando contra o excesso de peso, ele se tornaria um entertainer
especializado em temporadas anuais nos hotéis-cassinos
de Las Vegas. Soube-se, anos depois, que Elvis nunca apresentou-se
ao vivo fora de seu país porque Tom Parker seria um
imigrante ilegal e teria problemas se tentasse entrar de novo
nos EUA. A vocação para mito, porém,
nunca se perdeu, como comprovou o luto mundial quando o cantor
foi encontrado morto em sua mansão, Graceland, em Memphis,
em 16 de agosto de 1977. Até hoje ela é um centro
de peregrinação de milhares de fãs, de
todas as idades e das mais diferentes regiões do planeta.
A causa de sua morte (tem gente que jura de pé juntos
que ele não morreu), apesar do seu famoso abuso de
barbitúricos, nunca foi confirmada.
Em 2002, 25 anos após sua morte, Elvis voltou ao topo
das paradas de sucesso graças à versão
de "A Little Less Conversation" produzida pelo holandês
Tom Holkenberg (a 1ª pessoa a obter autorização
para remixar uma música do cantor) e utilizada numa
campanha da Nike. O single do projeto Junkie XL ficou em 1º
lugar tanto nos Estados Unidos quanto na Grã-Bretanha,
onde pôs fim a um histórico empate: o Rei do
Rock superou os Beatles ao ocupar esse posto pela 18ª
vez.
Em agosto do mesmo ano, a Recording Industry Association of
America divulgou que os álbuns de Elvis tinham alcançado
a marca de 100 milhões de cópias vendidas. Ele
também ficou em 1º lugar na lista de celebridades
mortas que continuam arrecadando fortunas. Segundo a revista
Forbes, a vendas de produtos relacionados ao cantor rendeu
US$ 37 milhões entre junho de 2001 e junho de 2002.
O livro The Elvis Treasures se tornou best seller na Alemanha:
a 1ª edição do livro, que era 20 mil unidades,
esgotou em poucas semanas.