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O Rock na História


Vamos falar de algo imortal: o Rock’n’roll. Em todos esses anos de vida, ele subdividiu-se, explodiu para tomar novas formas, alimentou outros estilos musicais e depois deixou-se alimentar por eles, perdeu-se, achou-se, a tal ponto que sua face espalhou-se por mil pedaços, assim estando em todos os lugares. Ele é a língua dominante, a moeda internacional o padrão a matriz. Sua rica combinação,nutre a maior parte da indústria da música e do entretenimento, com todo o seu poder de embalar e marketizar o consumo e atendê-lo. No entanto, eterno camaleão, ele sempre dá um jeito de rebelar-se contra si próprio, inventar uma nova guerra e uma nova trégua, sacudir e sacudir-se.

Como nenhuma forma de música antes dele, e como muitas depois dele, aliás dele derivadas, o Rock tem o dom de moldar tribos à sua imagem e semelhança, acoplar-se a comportamentos, usos e costumes. Ter um significado que transcende o uso da música popular.

As primeiras matrizes do Rock estão na África, é uma ancestralidade muito forte que de tempos em tempos, cada vez que se sente fraco e impotente, o Rock volta a essa antiga matriz para revivificar-se, refrescar-se. Explica-se: lá, proibidos de usar seus tambores, os escravos tiveram que assimilar o instrumental do branco dominador e, com a sua genialidade e talento, virá-lo do avesso e dar-lhe novas feições. O Blues também nasceu deste impasse.

Muitos foram os filhos desta dor africana traduzida no cativeiro americano. A nós só interessa o mais malandro deles, o que migrou para o norte da América em busca de oportunidades, lá, curioso ele transformou seu dobro acústico em uma guitarra elétrica e ampliou o poder de seus vocais com a ajuda de metais. Depurou-se. Conseguindo trepidar com aquela batida simples e tensa. Estava criado o Rhythm`n Blues.

Ao mesmo tempo, as coisas também mudavam no mundo dos brancos. Sua música estava ficando mais ritmada, e seus violões ganhavam captadores para aumentar o som. Chegava o Country&Western.

Em algum ponto dos primeiros anos 50, em programas de rádio pioneiros e ousados, esses dois ritmos se misturaram.

Enquanto isso o filho do Blues corria ágil pela estrada da experimentação harmônica e melódica: era o Jazz. Este apegava-se à simplicidade rítmica, que era comparado ao andamento do passo,a batida do coração.

Por conta de uma óbvia proximidade de língua e cultura, e uma clara correspondência de realidade histórica, o rock viajou rápido para a Inglaterra. De forma que, quando na América ele parecia ter-se esgotado e atingido a saturação, eis que surge preservado do outro lado do atlântico, com uma outra geração indo buscar lá atrás as primeiras matrizes do Rock, para adaptá-las aos novos tempos. Rolling Stones,The Who,The Beatles... .

Os anos 60 podiam começar.

O Rock explodiu pela primeira vez. A inquietação dos anos 50 era individualista, a dos anos 60 era coletiva e transcendente. Uma outra geração, uma outra juventude.

O Rock desdobrou-se para atender esses novos planos. O Boogie primordial passou a nutrir-se de outros ritmos, outros timbres, outras falas.

Nos anos 70, nasciam vários estilos que, tomavam corpo em múltiplas tribos: a pesada, interessada no mais básico dos ritmos, submersa em ondas cada vez maiores de eletricidade; a progressiva, que queria levar o Rock ao status de obra de arte, citando elementos básicos na sua mistura.

Por fora, corriam outras estradas, o veio negro do Rock gerara o Soul, que, viajando para o Caribe, transformou-se em Reggae, invenção genial, única.

Da constatação de que o Rock, mais uma vez, estava se desmanchando, veio a segunda explosão, foi em meados da década de 70, quando o Rock fazia 20 anos, mais uma geração propunha uma volta radical às origens, uma reavaliação dos conceitos estava surgindo, e também com a ajuda da tecnologia, inserindo na música, sintetizadores e transformadores de voz. Cinco décadas depois o Rock vive uma era de ouro. Está vivo. Provavelmente nunca deixe de estar, enquanto se lembrar da fórmula mágica da perpétua transformação, sempre vai significar coisas novas e diferentes e, com certeza, explodir mais uma vez e tomar novas formas, mas esse é o seu segredo mais bem guardado. Os ecos destas explosões estão sendo ouvidos até hoje.

Essa é a história que o Rock in History pretende contar.

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